
O Paraguai está vivendo uma semana caótica. Em meio a um escândalo bancário no país, o presidente, Santiago Peña, decidiu renunciar ao cargo. Mas a Câmara rejeitou a renúncia e aprovou, por 78×0, a abertura de um processo de impeachment. Agora, Santiago saiu do país e seu paradeiro é desconhecido.
Peña é acusado de conivência com a quebra do banco digital Ueno, do qual foi acionista até o ano passado, e que deixou milhões de paraguaios sem acesso ao seu próprio dinheiro. Somado a isso, o banco também administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos.
Pode parecer que a renúncia ou impeachment seriam a mesma coisa, mas essa escolha muda o futuro do presidente. Na renúncia, o presidente permanece com foro parlamentar e com a vaga vitalícia no Senado — direito que a Constituição paraguaia garante para todos os ex-presidentes.
Já com o impeachment, Peña perde o foro privilegiado e a vaga no Senado. A tentativa de renúncia foi vista como uma forma de tentar sair da presidência, mas garantir essas “regalias”.
Essa foi basicamente a mesma estratégia que Collor adotou quando renunciou em 1992. Acontece que, depois, o Senado também aprovou seu impeachment e ele perdeu seus direitos políticos por 8 anos.
Os próximos passos
Ainda hoje, o Senado paraguaio deve continuar a analisar o processo e o presidente deve apresentar sua defesa. A votação na Casa começou ontem, com parlamentares elegendo o tribunal julgador e apresentando a acusação contra o presidente.
Antes da Câmara aprovar a abertura do processo de impeachment contra Penã, os deputados rejeitaram fazer o mesmo com o vice-presidente, Pedro Alliana. A rejeição abre caminho para que ele assuma a presidência.





